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Canto Litúrgico

Canto Litúrgicos“Vivam a liturgia: e, sobretudo, cantem, cantem ordenadamente e bem; e cantem todos.”

João XXIII

 

A orientação dos documentos da Igreja, dos liturgos; é a de que o Canto Litúrgico Pastoral é parte integrante da Celebração, não é um elemento à parte e nem deve suprimir a participação da assembléia. Deve estar intimamente ligado com o tema da liturgia a ser celebrado. Deve ser dinâmico, vivo, criativo. No momento em que o grupo de cantores e músicos executam a sua parte na Missa o que deve ser exaltado é a mensagem da música e não apenas a linha melódica de uma partitura. A interpretação têm maior significado, quando o objetivo é a Evangelização. Santo Agostinho disse certa vez: Quantas lágrimas verti, quanta emoção experimentei, ao ouvir em vossa Igreja os hinos e cânticos que o louvam! Esta é sem dúvida a verdadeira função do canto, emocionar, interiorizar, atingir o íntimo de cada um, para então provocar uma ação de pôr-se-a caminho no Anúncio do Evangelho e na promoção e defesa da Vida.

Mais algumas orientações ainda se fazem necessárias antes de verificarmos passo a passo o canto. Conforme a (IGMR 39-40) o canto têm um grande valor na celebração da missa, e deve respeitar a índole do povo e as possibilidades de cada assembléia. Isto quer dizer que devemos cantar com o jeito do nosso povo brasileiro, dos nossos costumes e tradições; porém sem perder a característica primordial do canto que é ajudar a assembléia a expressar o mistério de Cristo e a Sacramentalidade da Igreja.

Um grande alerta aos cantores, instrumentistas, você presta um serviço à Igreja de Cristo e não à sua Igreja particular, intimista e devocional. Não é maduro proferir palavras do tipo: não gosto deste canto, vou cantar, tocar só os canto da renovação, do tlc, do movimento. Todas as orientações da Igreja e da CNBB ( Doc. 43 – Animação Litúrgica) é a de que os cantos dos movimentos em sua grande maioria não servem para a celebração e sim para os momentos de encontro destes movimentos. Há ainda os que dizem assim: os cantos daquele grupo não são animados, como se animação fosse fazer barulho ou movimentar as pessoas apenas para movimentar. Lembrem-se cada momento da celebração têm a sua dinâmica própria e o canto deve respeitar esta dinâmica.  Um canto será tanto mais litúrgico e evangelizador quanto mais fiel se mantiver à sua função litúrgica, sendo auxiliador da comunidade reunida a viver e a expressar-se.

 

Segue orientações do Guia Litúrgico Pastoral – CNBB (pgs 78 a 85)

Cap. VII – Canto e Música na Liturgia

 

1-   Critérios para a criação ( compositores) e escolha de repertório, músicos e cantores

a)   os textos devem ser tirados da Sagrada Escritura ou neles inspirados; sejam de poéticos e não devem conter moralismos, intimimos e chavões;

b)   as melodias sejam acessíveis à grande maioria da assembléia;

c)   evite-se melodias adaptadas de canções populares, trilhas de filmes e de novelas;

d)   respeitar os tempos do ano litúrgico e suas festas;

e)   seja considerada a cultura do povo do lugar;

f)    sejam levadas em conta a dimensão comunitária, dialogal e orante dos textos e melodias;

g)   o compositor (a) deve, antes de tudo estar enganjado na comunidade eclesial, porque a convivência com a comunidade o (a) ajudará nas composiões; deve ter conhecimento de liturgia e a função de cada canto;

h)   se houver coral, o mesmo deve prestar um serviço à comunidade, garantir a execução das partes que lhe cabem e principalmente auxiliar a participação dos fiéis no canto. Jamais deve manifestar como se estivesse em um Espetáculo, show, etc;

i)     Salmista deve proclamar o salmo no ambão da Palavra e terá necessariamente ter alguns critérios básicos: formação bíblico-litúrgica, formação espiritual, formação musical, formação prática (lecionário e o hinário litúrgico);

As orientações que faremos menção agora são de modo particular para os instrumentistas:

 

a)   A Instrução sobre a Musicam Sacram (1967) reconhece a utilidade e a importância dos instrumentos na liturgia, mas faz um alerta quanto às sua principais funções: sustentar o canto, facilitar a participação, criar a unidade da assembléia(cf MS 61-64)

b)   Ter o cuidado com o  mau uso dos instrumentos: o excessivo volume, a postura incorreta (show), tocar em momentos inoportunos;

c)   Qualquer instrumento pode ser utilizado na liturgia, desde que sua função seja de favorecer a participação da assembléia;

d)   Evitar o ruído litúrgico, afinar instrumento durante a celebração, verificar as introduções, o músico deve ensaiar antes e assim como os cantores e compositores deve ter formação litúrgica-bíblico e,  formação musical para bem celebrar.

 

Orientações para regentes e animadores:

 

a)   mostrar-se respeitoso (a) com as pessoas, acolhendo-as com um semblante alegre, inspirando, confiança e segurança;

b)   manter-se durante a ação celebrada em atitude espiritual;

c)   estar em lugar visível;

d)   estar em sintonia com os diversos ministérios e serviços litúrgicos: presidência, leitores, salmistas, instrumentistas, grupo de cantores, equipe de celebração e assembléia;

e)   cuidar para que o volume dos instrumentos musicais e dos microfones não se sobreponha ao canto da assembléia;

f)    ensaiar se possível os cantos com a assembléia;

g)   reservar momento de silêncio entre o ensaio e o início da celebração;

h)   cuidar da dignidade da própria veste e da postura do corpo;

i)     quando ensaiar a comunidade: elogiar, pedir a escuta, estar com a expressão facial incentivadora, cuidar da respiração, cantar com todo ser e não apenas com a boca, e finalmente agradecer a participação.

 

Tanto cantores, instrumentistas, regentes, animadores devem evitar atitudes que não estejam em acordo com a índole litúrgica, evitando assim  “estrelismos” que nada mais é do que projetar-se e exibir-se perante um grupo de pessoas. Quando agimos assim estaremos transformando nossas celebrações em verdadeiros “shows”. Pena em muitas comunidades os líderes pastorais ainda seguem esta linha de participação. A hora é agora, de lermos, refletirmos, buscar formação e informação sobre a melhor maneira de celebrar.

Há de se ter também o cuidado com a voz, fazer aulas de técnica-vocal para bem desenvolver o canto. Evitar também de sempre cantar os mesmos cantos ou de maneira contrária sempre cantar  cantos novos. A grande liturga Ione Byust afirma que o canto velho e o canto novo devem permanecer em sintonia, porque estaremos preservando a história e a memória dos compositores e com cantos novos estaremos valorizando a criatividade, os novos compositores. Não se caminha para frente sem valorizar o passado. Quantos anos de estudo, de reflexão, de reunião, nossos padres, bispos, papas realizaram para dar  à Assembléia celebrativa o seu real valor de participação e de merecimento por uma celebração bem preparada?

Últimas orientações: o canto que acompanha o rito e o que faz parte do rito

 

1)   Canto de Entrada: acompanha o rito, não devendo ser muito curto ou muito extenso, termina quando o sacerdote chega ao altar ou na cadeira da presidência;

2)   Ato Penitencial: faz parte do rito. E é dirigido a Cristo, perdão. Evite-se cantar canto do tipo: Pai andei…. Os instrumentos de percussão neste canto devem silenciar;

3)   Glória: faz parte do rito. Não é obrigatório que seja trinitário, mas pede-se que se observe a letra oficial do Hinário Litúrgico (CNBB). Deve ser sempre alegre e dinâmico. Este canto em tempo de quaresma e advento é suprimido;

4)   Salmo Responsorial: faz parte do Rito. É uma resposta à Palavra proclamada e não é um canto de meditação. Deve ser sempre cantado. Não pode ser trocado por outro canto. Os instrumentos de percussão também devem silenciar;

5)   Aclamação ao Evangelho: acompanha o rito. Pode até ser omitido ou até mesmo rezado. Porém se cantado, que seja festivo e que no versículo conste a menção do Evangelho do dia;

6)   Preparação das oferendas: acompanha o rito. Não deve ser chamado de canto de ofertório, porque o grande ofertório acontece após a consagração. O canto termina quando o Presidente da Celebração lava suas mãos;

7)   Oração Eucarística: deve ser sempre cantada; mas é permitido a oração em vez do canto;

8)   Santo:  É o grande canto da liturgia. Preferencialmente cantado e faz parte do rito. Este canto é uma aclamação a Deus Pai, céus e terras……. Diz a IGMR que deve ser cantado conforme a letra do Missal e não substituído por outras letras;

9)   Abraço da Paz: acompanha o rito. Depende do costume local e do Presidente quanto a execução deste canto, antes do Cordeiro. Pode ser transferido para o final. Note bem, se cantado neste momento deve ser curto;

10) Cordeiro:  faz parte do rito: É uma prece ao Cordeiro Pascal. Deve ser cantado de forma suave e sem instrumento de percussão;

11)  Comunhão: acompanha o rito. É o canto mais antigo da missa. Sua função é congregar, reunir em torno do Pão Eucarístico, Jesus. De preferência que tenha ligação com o tema do Evangelho do dia. O canto acaba quando se observa que quase todos já comungaram;

12)  Pós-comunhão: é opcional. Não é um canto de ação de graças, porque toda a celebração já foi uma ação de graças. Conforme o doc. 43 CNBB(animação litúrgica) se cantado deve fazer menção ao Evangelho do dia ou cantar um canto à Mãe do Salvador. Cuidar para não cantar um canto de louvor;

13)   Despedida ou saída: preferencialmente um canto de envio, alegre e deve terminar a critério do grupo de cantores, porém não é necessário cantar quando já não se tem mais ninguém na Igreja

 

Cantos opcionais que podem ser utilizados em missas especiais: resposta das preces; profissão de fé, após a homilia (curto ou refrão orante); pai- nosso ( se cantado a letra não pode subsitutir a oração original, porque constitui uma oração universal e não deve ser modificada).

Amigos, estas foram apenas algumas das muitas reflexões sobre Liturgia e Canto Pastoral. Existem muitos livros, documentos, instruções sobre estes temas. Se não nos é possível ler tudo, devemos estar sempre atentos ao cursos oferecidos de Liturgia e Canto nas diversas comunidades, dioceses. Sempre que possível, ler, adquirir material: apostilas, livretos e até mesmo visitar o site da CNBB que traz muita informação sobre a nossa missão pastoral. Lembram: quanto mais fiéis formos à natureza litúrgica, mas nosso canto e nossos instrumentos serão litúrgicos. Aquele que quer servir a Deus, na Pessoa de Cristo, através da comunidade busque aperfeiçoar-se no conhecimento musical e nas orientações teológicas e pastorais. Gostaria de deixar como mensagem uma anotação de Xavier Pares:

“ O escritor catalão Milá i Fontanals definia a beleza como a unidade na variedade. Eu diria que a beleza de uma celebração litúrgica é precisamente isso: a unidade na variedade; é saber unir todas as partes de uma celebração- que são muitas e muito variadas- de tal maneira que formem um conjunto harmonioso, bem como também os (as) que nela intervêm e participam. Desde as pessoas: presidente (bispo ou presbítero), concelebrantes e diáconos, acólitos, leitores, salmistas, cantores, organista, povo fiel; os espaços celebrativos: altar, ambão, cadeira da presidência, presbitério, coro, espaço da assembléia… Até os demais elementos: sonoridade, iluminação, etc. É saber dar forma e sensibilidade a todo este conjunto de pessoas, espaços e coisas de tal maneira que resulte uma autêntica obra de arte: a arte do bem celebrar, a Ars celebrandi.”

Que ao celebrarmos a sagrada liturgia, não celebremos “minha” ou a “tua”  ou a “nossa” liturgia, mas a liturgia da Igreja, já que a liturgia não é minha, nem tua, mas da Igreja. Quanto mais criativa e dinâmica for, mais atraente será.

 

 

Feliz e abençoado trabalho! Vai eu envio você, vai testemunhar, por sua boca irei falar.

 

Um comentário

  1. avatar

    Muito bom esse material e bem didático. Gostaria de trabalhar ele no meu Ministério de Música, posso utilizá-lo? com referência, claro.

    Obrigado

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