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Pastoral Litúrgica

Curso de Liturgia e Canto Litúrgico
” Quando o leitor sobe ao púlpito, é Cristo que nos fala. Quando o pregador comenta a Palavra, desde seja a verdade, é Cristo quem nos fala. Se Cristo houvesse silenciado, eu não poderia afirmar o que estou dizendo neste momento. Cristo tampouco, permanece silencioso em vocês: quando cantam, não é, porventura, o próprio Cristo quem canta em sua voz?”
                                                                                                                                                             Santo Agostinho

Queridos amigos, sejam bem-vindos. É com imensa alegria que nos encontramos para refletir, estudar e aprofundar nossos conhecimentos sobre a maravilhosa arte de celebrar os mistérios do Criador, revelado pelo Filho Jesus Cristo e confirmado pela ação do Espírito Santo. Liturgia e Canto Litúrgico quando bem compreendidos torna a pessoa feliz e comprometida com a Comunidade com a qual se dispõe a servir. Que o  Senhor nos abençoe  e que possamos crescer no entendimento e na oração.

 Jefferson Lisboa

 

 

Para facilitar a compreensão de  Liturgia, faz-se necessário entendermos o termo Liturgia. LITURGIA, vem da língua grega: laos (povo e ergon = acão, trabalho, serviço, ofício), podendo então afirmar que Liturgia é: ação, trabalho, serviço do povo e realizado em favor do povo; hoje diríamos : Serviço público. Realizando a conexão com a nossa vida cotidiana entendemos que todo e qualquer serviço realizado em mutirão, como: construir obras, edifícios, pontes, etc é realização da Liturgia. Também não é salutar esquecer-se dos pequenos trabalhos realizados em favor de um grande grupo, por exemplo: limpar ruas, coleta de lixo, etc.

Antes do Concíclio Vaticano II (1965 a 1968) a Liturgia Cristã era reduzida  somente à ministros ordenados (bispo, padre). A assembléia (povo) era um participante inativo, assistente, sem participação e muito menos compreensão do que ouvia e via, pois o Celebrante rezava em latim, de costas para o povo. Esta forma de celebrar era Ritualista, e não buscava a Ação conjunta de prestar louvor a Deus.

Pós Conc. Vaticano II, a Igreja retoma, então o verdadeiro sentido da Liturgia = Ação do povo batizado em união com Deus para no dinamismo propiciar a ação participação plena e consciente do povo. Liturgia é a manifestação amorosa de Deus em favor da VIDA. Esta ação criadora, libertadora, transformadora e santificadora nos atinge, nos torna agentes participativos numa profunda aliança de amor e compromisso. Quando celebramos estamos fazendo o elo da Tríplice aliança: Ação realizada por Deus em Jesus Cristo e, através do Espírito Santo em nós e através de nós para toda humanidade.

Convido a todos para dar um passo a mais na nossa reflexão sobre Liturgia. Agora já podemos mencionar o que é Celebração. Quem não gosta de celebrar sua data de aniversário? Que indivíduo não gosta de reunir-se com os amigos para comemorar vitórias, passagem de vestibular, concurso; ou simplesmente reunir?. Nenhuma pessoa consegue celebrar, comemorar sozinha. Geralmente queremos que o mundo saiba das nossas alegrias e muitas vezes também das nossas tristezas, porque é inerente do ser humano deixar transparecer na face o seu sentimento. Então, afirmamos que toda CELEBRAÇÃO é COMUNITÁRIA, para nós, católicos Missa. Esta celebração deve ser festiva, deve tornar célebre, importante, inesquecível, dar sentido e significado do acontecimento ou pessoa para com o grupo. Nas celebrações em nossas casas, restaurantes, empresas, celebramos mudos, parados, sem voz, em silêncio? Ou usamos palmas, abraços, cantos, dança, trocamos presentes? É a mesma coisa nas celebrações litúrgicas precisamos fazer uso de gestos, ações simbólicas, ritos e Palavras para expressar o nosso entendimento, nossas crenças, convicções, nossa maneira de amar ou de rejeitar.

O próprio Jesus Cristo tornou-se célebre, inesquecível a sua dedicação, o seu amor, o seu doar-se em favor da humanidade quando quis Celebrar, ceiar com seus discípulos na quinta-feira santa : CEIA PASCAL, dando significado e sentido à sua missão. Nâo esqueceu de realizar a união entre Liturgia e Vida. Nossas celebrações perdem o seu objetivo quando não se realiza a ligação entre Fé e Vida. Neste contexto dizemos que: Celebrar a Liturgia, é , expressar com gestos, símbolos e palavras a Liturgia-Vida; é tornar célebre, inesquecível a ação que o Pai realizou, realiza em Jesus Cristo, e através Dele à toda humanidade peregrina , revelar a todos os que aderem ao Projeto do Reino pela atuação e animação do Espírito Santo.

Se há pouco dissemos que é preciso celebrar fé e vida, podemos então Ver a quantas anda a sociedade de hoje. Parece-nos que, vivemos numa competição desenfreada, o consumismo e a busca do prazer é o que move as atitudes dos seres humanos, a violência tem uma feição de normalidade, o desrespeito às pessoas e a suas culturas e costumes são práticas diárias, anunciadas até pela mídia. Os Meios de Comunicação Social manipulam a verdade e a justiça, defendem apenas os interesses de grupos privilegiados, os nossos políticos, ah os nossos políticos esqueceram de uma vez por todas que são empregados do povo e, portanto, devem governar pelo povo. A impressão que temos é que tudo está praticamente perdido, mas não está não. Para quem aceitou e acredita no Reino de Deus é preciso agir pela esperança, como nos diz São Paulo: é preciso dar razões da nossa esperança. Por isso é que nos encontramos como Igreja celebrando os mistérios de nossa existência e fazendo memória da Vida, morte e paixão de nosso Senhor Jesus Cristo.  Por um lado, temos esta cara um tanto quanto feia do mundo em que vivemos, do outro temos a oportunidade de nos reunirmos como irmãos para rezar, agradecer, festejar, pedir, dançar, cantar, tocar instrumentos na, Celebração Litúrgica. Nós celebramos a vida de cada um, portanto a nossa vida, porque, estamos reunidos em grupo. E as nossas celebrações se dão de diversas formas: novenas, procissão, romarias, celebração da batismo, crisma, matrimônio, etc e é justamente nestes encontros que nos afirmamos como irmãos e irmãs, filhos do mesmo Pai.

Quando celebramos estamos realizando um sinal de compromisso com a vida, que está no coração de Deus e também no mais íntimo de nós. Lembram no início quando falamos que a Celebração é Comunitária, isto quer dizer que repetimos a aliança da Santíssima Trindade, que é a mais perfeita Comunidade. As nossas liturgias devem revelar o amor de Deus para com a humanidade e mostrar o seu poder contra as forças da morte ( destruição da vida: miséria, violência, etc). Quem celebra sente a força da sua missão de batizado em favor da paz, da solidariedade, da vida; principalmente com os mais pobres.

Na agitação da nossa rotina de vida, existe um melhor dia para celebrar? A impressão que temos é que as pessoas, os grupos definem a partir de sua realidade qual a melhor hora, o melhor dia da festa. Porém, para a Igreja Católica o DOMINGO é considerado o dia do Senhor, dia de festa e de alegria. Porque nos foi designado o domingo para o dia do Senhor? Recordemos:

  •  Quando Jesus morreu, qual foi o dia em que as mulheres foram ao túmulo – o primeiro dia da semana (Mt 28, 1-7; Mc 16, 1-7; Lc 24, 1-8; Jô 20, 1-2. 11-13);
  • Os judeus consideravam o primeiro dia da semana o primeiro dia depois do sábado;
  • Ao ressuscitar, Jesus se tornou para nós o Novo Sol, nova criação, novo homem. Por isso, Domingo dia do começo da vida nova em Jesus;
  • Ressuscitado Cristo se tornou nossa Páscoa, por isso toda Missa no domingo tem a característica de Páscoa do Senhor, é o sentido litúrgico que devemos celebrar;
  • Hoje, 2008, trabalhamos a semana inteira e descansamos no Domingo, mas por conta do mundo globalizado muitos trabalham até mesmo no domingo, tendo assim que se adequar as exigências do mercado de trabalho, oxalá não sejam impedidos de vivenciar a sua fé;

Para encerrarmos este breve apontamento sobre Celebração, pedimos a permissão para fazer um paralelo entre Liturgia e Casa, conforme nos diz Ione Buyst: O sonho de toda família é ter uma casa:  lugar de moradia, de reunião, um teto para se abrigar. O sonho só se realiza quando tudo está pronto, laje no lugar, paredes pintadas, móveis no lugar, etc. Mas Ione nos interpela, casa é tão somente paredes?. Casa, lar é lugar de convívio, amparo, aconchego, comum-união, respeito, afeto. Convém, então dizer que Liturgia é como casa. É primordial cuidar da estrutura da celebração: ritos iniciais, Liturgia da Palavra, salmo, canto litúrgico (música), Liturgia Eucarística, símbolos, gestos, dança. Cuidar do espaço litúrgico, do TEMPO LITÚRGICO que está sendo celebrado. É quase um pecado não preparar bem as leituras, preces, homilia, oração eucarística, cantos, etc. Aqui começa nossa missão como agentes de celebração. Há na celebração diversas funções, mas cada qual deve assumir aquilo que lhe compete com qualidade, espírito de serviço e gratuidade, tendo clareza de sua verdadeira missão e função no contexto celebrativo. Conforme está escrito na Sacrossanctum Concilium – O povo tem direito à uma participação plena e consciente na celebração. É tarefa dos agentes de pastorais promover esta participação.

 

Roteiro para a celebração

 

Ritos IniciaisLiturgia da PalavraLiturgia EucarísticaRitos Finais
Procissão e Canto de AberturaPrimeira LeituraPreparação dasOferendasAvisos
Sinal da CruzSalmo ResponsorialOrac. EucarísticaBenção e envio
Saudação Inicial,acolhidaSegunda LeituraSantoCanto
Introdução ao temaAclamação ao EvangelhoDoxologia final
Rito PenitencialEvangelhoPai Nosso
GlóriaHomilia- Aplicação daPalavraAbraço da Paz
Oração do dia ou coletaProfissão de féCordeiro
Oração dos fiéisComunhão
Silêncio ou brevecanto
Oração

 

 

10_musica-001Quem prepara a Celebração?

 – Presidente da Celebração (Ministro Ordenado), Comentaristas, leitores, Salmistas, Cantores, Músicos, Ministros extraordinário da Comunhão, Grupo da Acolhida, Dança Litúrgica ( se houver).

Não há como não perceber que a Celebração deve ser preparada por um grupo de pessoas e não apenas pelo Pe ou pelo Coordenador. Para facilitar este trabalho chamamos todo este grupo acima mencionado de Equipe de Liturgia e Canto Pastoral, que deverá ter um coordenador e um assessor que a priore é o Pároco ou Vigário ou ainda um seminarista. Para falar do papel de cada um na celebração, fica o convite para um próximo encontro. Basta no momento ter a clareza de que uma Boa Celebração deve ser bem preparada por todos e deve revelar arte e beleza. Nosso grupo aqui reunido se caracteriza pela grande maioria de cantores e instrumentistas, portanto, vamos observar qual é a verdadeira missão do Canto Litúrgico dentro da celebração.

 

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