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Pela Palavra de Deus…

“Não houve quem voltasse para dar glória a Deus a não ser este estrangeiro?” (Lc 17,18)

O evangelho de Lucas é conhecido por apresentar Jesus como o Mestre da Compaixão-Misericórdia. Seu ministério move-se a partir do seu olhar amoroso e de resgate da vida dos que mais sofrem.

No capítulo 17 encontramos o episódio da cura dos dez leprosos. Apenas um voltou para dar graças a Jesus pela gesto de oferecer novamente vida plena para ele – o samaritano.

“Não houve quem voltasse para dar glória a Deus a não ser este estrangeiro? (Lc 17,18). Após o samaritano se prostrar Jesus mostra ao estrangeiro recuperado o caminho da salvação. A gratidão é um sentimento que todo ser humano deveria desenvolver em  sua vida. Quantas vezes tantos já nos estenderam as mãos num gesto de pura gratuidade e nós talvez nem reconhecemos por causa da agitada vida que levamos? Quem sabe se olharmos para as pessoas como dádivas de Deus não facilitaria a nossa compreensão da “gratidão” em nossa vida? Se apenas um retornou para agradecer é para que percebamos que a gratuidade é algo muito especial que existe em nossa vida e muito singular. “Em nossa civilização marcada pelo capital, pelo consumo, pelo mercantilismo, há cada vez menos espaço para o gratuito. Tudo é cobrado, taxado. E quando alguém age com espírito de gratuidade, surpreende-nos tanto que esquecemos de agradecer. Até a nossa relação é marcada pelo contrato: “Eu cumpro, Senhor, as minhas orações para Ti, e tu me recompensas com seus favores”. (ideia inspirada em José Pagola)

O leproso samaritano assimilou no caminho a grandeza de Deus e sua compaixão infinita. “Esta gratidão radical a Deus produz na pessoa uma forma nova de olhar para si mesmo, de relacionar-se com as coisas e de conviver com os outros. Comecemos também a compreender que o amor gratuito de Deus se revela muitas vezes nos gestos gratuitos de fraternidade e solidariedade das pessoas que vêm ao nosso encontro.

Vivemos num período marcado pela perda da gentileza e da gratuidade nas relações interpessoais e sociais, sobretudo nas grandes metrópoles e megalópoles do mundo. Isso faz-nos lembrar do grande profeta do princípio gentileza que viveu na década de 80 no Rio de Janeiro, José da Trino (1917-1996), que começou a pregar a gentileza como alternativa para a cidade e para a humanidade. Seu impacto nas camadas populares foi grande, a ponto de ser chamado “Profeta Gentileza”. A força de sua mensagem se centrava na gentileza. Para expressá-la usava o código que conhecia, a simbologia trinitária católica. Para ele Gentileza gerava gentileza. Recusava-se a dizer muito obrigado, pois argumentava que ninguém é obrigado a nada. E no lugar do muito obrigado devemos dizer “agradecido”, ao invés de “por favor” usar “por gentileza”, pois assim, dizia, nos religamos à Gentileza ou à Graça de Deus, porquanto Ele criou tudo com gentileza e na plena gratuidade”. (Boff, Saber cuidar, Ed. Vozes pg. 182).

Por isso, agradeçamos os gestos de gentileza que muitos nos fizeram e nos fazem, agradeçamos a Deus pelo dom da vida, que foi um gesto de gentileza do Criador. Como o leproso samaritano que voltou para dar graças, voltemos as nossas origens, de filhos amados de Deus. Agradeçamos aos nossos pais – mas de forma concreta através de atos e atitudes -, pelo dom da vida; agradeçamos aos amigos, por se fazerem caminho ao nosso lado, agradeçamos também àquela pessoa que de alguma forma nos ajudou em algum momento de nossa vida, pois era o próprio Cristo que estava junto ao nosso caminho. Como diz o apóstolo Paulo: “Dai graças a Deus, por tudo dai graças”. Voltemos nosso olhar para Jesus… pois saberemos por onde andar”.

Pe Pedro Cesar Pereira

 

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