3° DOMINGO DA PÁSCOA:  A vida continua (Jo 21, 1-19).

    Uma das atitudes mais comuns do ser humano diante de um fato extremamente doloroso é desesperar-se. Não ver mais sentido na vida, querer sumir e reprisar continuamente à exaustão na sua mente o acontecido, como se pudéssemos modificar o passado. O que passou, passou. As difíceis experiências passadas, devem servir de alerta, para não provocarmos situações em que elas se repitam no presente ou no futuro, porem o que já aconteceu, deve ser aceito e assimilado. Como freqüentemente falhamos, precisamos nos arrepender dos erros cometidos. Perdoar para sermos também perdoados, olhando para frente, pois  a vida continua.

    Nos evangelhos vemos os apóstolos de Jesus ficarem totalmente abalados com a sua morte na cruz, mas, como pessoas simples e práticas sabem, como  diz o ditado: não adianta ficar sempre chorando pelo leite derramado.

    Sob a iniciativa de Pedro, eles pensam em voltar à vida de pescadores como anteriormente, porém, mesmo assim, passam pela frustração de uma pesca infrutífera. Mas, Jesus prometeu que estaria com eles e cumpre o prometido. Aparece à margem do lago e os desafia a lançar a rede. Sem reconhecê-lo, mas diante do vigor de suas palavras, obedecem a seu mando e a pesca se torna extremamente  frutuosa. Não deixa de ser também, uma metáfora dos Atos dos Apóstolos na edificação da Igreja, uma vez que foram chamados para serem pescadores de homens. Com Jesus na dianteira, o Espírito Santo os iluminando, será um trabalho fecundo (Jo 21, 3-11).

    É, sobretudo no partir do pão, que Jesus é identificado como o Mestre vivo e ressuscitado. Este processo de descoberta, as pessoas também devem continuar fazendo hoje na Eucaristia.

    Bastante comovedor é o diálogo de Jesus com Simão, que Jesus chama de Pedro, porque sobre esta  pedra edificará a sua Igreja (Mt 16, 18),

    Pedro representa bem toda a Igreja santa e pecadora. Afirma que seguirá Jesus até a morte se for preciso, mas poucas horas depois se cumpre a profecia de Jesus que afirmou: que antes que o galo cantasse ele o negaria três vezes. (Jo l3, 37-38) Agora novamente por três vezes,  sob a luz da ressurreição, Pedro, o chefe visível da Igreja, deve reafirmar o seu amor total a Jesus e aos seus ensinamentos. Todo o restante de sua vida terrena   ele usará para propagá-los, apascentando os cordeiros e as ovelhas muitas vezes confusos e perdidos (Jo 21, 17-18).

    E a trajetória do Povo de Deus continua até hoje, com erros e acertos de seus membros que mesmo assim, continuam merecendo a confiança de seu Senhor, cuja característica fundamental é a misericórdia infinita, que deve ser inspiração para todos nós  hoje e sempre.

Cônego Ivanir Leonardi

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