5° DOMINGO DA PÁSCOA (Jo 13, 33-35) – A PRINCIPAL RECOMENDAÇÃO DE DESPEDIDA

Qualquer despedida, mesmo temporária dos filhos, ou alguém íntimo, seja para um dia de estudo, de trabalho, de passeio ou férias, vem acompanhada, por algumas mães ou outras pessoas zelosas, de uma série de recomendações: que tomem cuidado, se pegaram isto ou aquilo, e que não esqueçam de um cem número de outras coisas, muitas vezes secundárias.

    Um dia, porém, todos vamos partir para uma longa viagem, para o mais alem, e não por um tempo breve, mas para a eternidade, onde esperaremos nos reencontrar com aqueles que amamos e continuam vivos espiritualmente em nossa mente.

    As despedidas envolvem uma certa tristeza, que vai alem da esperança.

    Na última ceia, na sua despedida, reunido com seus escolhidos, que irão trabalhar para a implantação de sua Igreja, Jesus destaca que os que desejarem segui-lo devem: ter atitudes concretas de amor manifestado no serviço humilde aos seus irmãos e que a grandeza se mede pelo despojamento.  

    Hoje, a palavra amor foi reduzida, pela maioria, a um ato exclusivamente de fazer sexo com alguém, no qual na maioria das vezes, não há nenhum sentimento, mas apenas uma atração física. O interesse pelo outro surge como uma forma egoísta de se obter algum prazer rápido, sem aparentemente medir nenhuma conseqüência.

    Conhecendo as contradições humanas, de todas as épocas, e sabendo das distorções que o pecado provoca nas pessoas e na sociedade formada por elas, Jesus, para que não paire nenhuma dúvida, reduz todas as leis civis e religiosas a um único mandamento e colocando-se como modelo: “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei” (Jo13, 34).

    Não é para amar com um sentido interesseiro, comercial, de sempre querer um retorno maior que o oferecido, como costumamos fazer, mas amar como Ele amou, isto é capaz de dar a vida, para que o outro tenha vida.

    Embora este seja o grande, o maior de todos os ensinamentos de Jesus e Ele tenha praticado o que ensinou, a maioria de seus aparentes seguidores, vivem um faz de conta, como quem não entendeu, ou não quer entender, as suas palavras e praticam a proposta da sociedade de consumo esquivando-se da partilha, doação, solidariedade, diálogo, perdão, todas atitudes que revelam o verdadeiro amor cristão.  

    A celebração que viemos participar, na qual Jesus da a vida em forma de Pão e de Vinho, que representam a sua carne e o seu sangue, tem que nos despertar e fortalecer para não temermos em nos doarmos também para os irmãos, como Ele fez, para que a sociedade do consumo, ceda o lugar para a civilização do amor.  

Cônego Ivanir Leonardi

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