CARENTES DO ESPÍRITO SANTO (Jo 20, 19-23; Jo 15, 26-27; l6, 12-15)

      Em certos aspectos acusa-se a Igreja de ter falado pouco do Espírito Santo ao longo da História, o que revela uma certa ignorância, pois invocado ou não invocado ele está presente e não precisamos insistir que Ele venha, mas sim, que possamos perceber a sua presença.

     Constatamos que em muitos grupos pentecostais, católicos ou não, há alguns que pensam ter o poder de trazê-lo, e até de obrigá-lo a agir. É bom recordar que são os simples e humildes os seus prediletos, os que mais sentem a sua presença. Ele não é surdo, e não serão nossos insistentes gritos e lamentos, que farão com que se manifeste.

    Circulam sempre nas igrejas correntes prometendo benção para quem continuar a espalhá-las e castigos para quem deixar de fazê-lo. Em geral, são mais que orações, atentados contra o bom senso, como se com Deus pudéssemos agir como chantagistas. Algumas “orações ao Espírito Santo, espontâneas ou não seguem esta lógica do absurdo em que a quantidade de páginas distribuídas em tantos dias e igrejas diferentes, obterão o resultado desejado, quase sempre, pedindo a Ele para fazer o que cabe a nós, e sem nenhum compromisso de mudança de vida. São mais que orações, verdadeiras tentativas de negociatas.

    Alguns pensam que, convencerão o Espírito Santo pela longa oratória na qual falam como se Ele fosse um ignorante, que desconhecesse as coisas, quando já conhece os nossos pensamentos, antes de os pensarmos e das coisas que precisamos, antes que peçamos (Sl 148; Mt 6, 8).

     Sempre em toda prece precisamos recordar em não nos preocupar em convencer Deus, somos nós que precisamos ser convencidos do seu poder divino, sempre presente e disposto a nos ajudar, desde que lhe abramos o caminho.

    Entre os inúmeros dons do Espírito Santo o mais indispensável é a paz interior. Seu símbolo, usado por Jesus, é o vento, não se vê, mas sente-se e é capaz de renovar a face da terra.

    Ele só consegue agir nos corações arrependidos, portanto perdoados. É o Espírito da Verdade, que conduz, faz compreender e viver a verdade plena.

    Que o seu vento impetuoso arranque de nós todo o orgulho, egoísmo vaidade, que nos imobiliza e nos leve a sair da mediocridade para começarmos uma nova vida, como   irradiadores de sua luz.

    O Paráclito é o nosso advogado e defensor diante de Deus e das adversidades do mundo presente, o amor, a fim de que sua força nos leve a amar e nos torne participantes do Reino de Deus, agora e na eternidade.

Cônego Ivanir Leonardi

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