Ceia do Senhor: Dom e Serviço (Jo 13, 1-15)

É folclórica a nossa atitude em dar e receber presentes com frases ambíguas e formais com esta: “Simples, mas de coração”! E a tradicional resposta: “Que lindo! Não precisada se incomodar”.

    Como é difícil doar-se: através do diálogo, serviço, atenção, carinho, compreensão e do perdão. Quanta gente tentando substituir estes valores infinitos, por coisas, como se isso fosse possível.

     Talvez este seja o grande problema em nossas famílias, onde criamos a falsa idéia, divulgada de todas as maneiras pelos meios de comunicação, como se as pessoas precisassem apenas de coisas, quando na verdade estão extremamente carentes de amor.

    Quando o amor leva à renúncia, sacrifício e doação, pelo bem dos outros ou da pessoa amada, isto é percebido, sentido e então sim, a mais singela das lembranças, ganha um valor inestimável, pois vem carregada de afetividade e ternura.

    A celebração da Ceia do Senhor recorda para nós até que ponto somos amados. Será necessário aprender do Mestre a atitude de serviço: “Como eu vos lavei os pés, deveis lavar os pés uns dos outros. Dei-vos o exemplo para que façais a mesma coisa que eu fiz” (Jo 13, 14-15).

    Na Ceia do Senhor onde se participa da Eucaristia, não existem mais os que são importantes e os menos importantes. Na comunhão, que deve recebida quando se está em comunhão, para sentir plenamente o seu poder vitalizante, não pode haver discriminação de espécie alguma.

    Nesta celebração Jesus institui dois sacramentos fundamentais: A EUCARISTIA, como doação total, o maior presente que poderíamos receber e o SACERDÓCIO, justamente para torná-lo presente, como sinal da nova e eterna aliança. O Sacerdócio existe em função da Eucaristia.

     Nela Jesus se doa totalmente como o alimento. Através da aparência do pão, Ele se faz Pão da Vida, para saciar plenamente a nossa fome. Utilizando o vinho, como sinal o transforma no seu sangue doado, para que não tenhamos mais sede de eternidade.

    Tanto o trigo como o vinho se originam de grãos e frutos, que tiveram que ser esmagados, desaparecer para se tornarem o pão que alimenta, e o vinho que traz alegria.

    Os que comungam precisam também deixar morrer o homem velho do pecado e deixar que o corpo e o sangue de Cristo, na Eucaristia, os transformem em criaturas novas. Como o pão e o vinho, precisam deixar ser esmagados, o eu egoísta também deve fazer o mesmo, para formar a comunhão do nós.

     Hoje a Igreja se veste de festa para celebrar o maior de todos os presentes, onde Jesus não nos dá coisas, mas dá a si mesmo.

Cônego Ivanir Leonardi

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