Domingo de Ramos: Hosana – Crucifica-o! (Lc 22,14-23,53)

     As pessoas mudam com imensa facilidade de pensamento ou de atitudes. Juras eternas de amor se convertem rapidamente em rejeição e mesmo em ódio. O sim, muda para o não, de forma brusca e impressionante.

    Jesus, a dois mil anos, já enfrentou esta inconstância típica do ser humano. Com a mesma rapidez como é aclamado como rei: “aquele que vem em nome do Senhor”, o povo logo, logo pede a sua morte da forma mais cruel e humilhante, que é a morte na cruz.

    Hoje as pessoas agem praticamente da mesma maneira. No Domingo de Ramos o público nas nossas igrejas aumenta sensivelmente. É preciso levar os ramos para serem bentos, como se eles nos salvassem, quando na verdade, são símbolo de nossa adesão a Jesus Cristo. Mais que objetos de salvação e proteção, nos dias de temporais, os ramos são sinais de um compromisso de aceitação de Jesus como o filho de Deus, enviado para nos ensinar o Evangelho, cuja prática, nos conduzirá para a salvação.

    No Domingo de Ramos, para o povo ou o Domingo da Paixão, para a liturgia, vemos no Evangelho, que em poucas horas as mesmas pessoas que saudavam Jesus com ramos e estendiam os seus mantos no chão, para que ele montado num jumentinho passasse sobre eles, recepção digna de um rei, aclamado com brados de “Hosana”, mudam totalmente os seus gritos para: “crucifíca-o”, desejando-lhe a morte mais horrível, a qual eram submetidos os piores bandidos, desde que não fossem cidadãos romanos.

    E nós como vamos agir? Dependendo do lugar e da forma que algumas comunidades usam para celebrar este acontecimento decisivo na vida de Jesus, há os que nem participam da missa, pois, o importante são os ramos e não Jesus e seus ensinamentos. Os ramos não salvam ninguém, quem nos salva é Jesus Cristo, a quem saudamos o com eles.

    Iniciamos a Semana Santa, é um período para avaliar a nossa vida e o que representa Jesus para nós? Cada um deveria ler, em qualquer um dos evangelistas, as narrativas da Paixão, para perceber quão valiosas são as nossas vidas e as vidas de nossos irmãos, a ponto do Filho de Deus, sem culpa alguma, assumir o nosso pecado e por causa dele pagar com a morte, para que sejamos de fato pessoas novamente livres.

    Os ramos são sinais para lembrarmos, que temos um compromisso sério de seguir Jesus, assumir a nossa cruz e segui-lo para chegar com ele à ressurreição para uma vida nova. Quando os ramos se tornarem, portanto, lembrança de nossa aceitação de Jesus e sua mensagem, estarão sendo de fato sacramentais, símbolos que nos ajudam chegar a Deus.

 

 Cônego Ivanir Leonardi

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